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riscos_e_rabiscos

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Para Pensar e Comentar.

 

Todos aqueles que me visitam já devem ter lido algumas vezes nos meus posts uma das frases que muitas vezes profiro: as relações humanas são muito complicadas.

E são-no, efectivamente. Cada vez mais constato isso.

 

Depois de uma conversa sobre vários tipos de relacionamentos, ficaram a bailar-me algumas coisas na cabeça.

 

É certo que ninguém tem a fórmula certa para um relacionamento perfeito – e até que ponto um relacionamento perfeito, não seria terrivelmente aborrecido? – mas existem atitudes e comportamentos que podem levar um relacionamento a bom porto.

 

E o busílis da questão é o seguinte:

Num relacionamento, deve viver-se apenas um para o outro?

(Ter apenas olhos um para o outro, colocando amigos e família num plano muito afastado? Basear a relação em “eu sou tua e tu és meu” e não nos interessa e nem precisamos do resto do mundo?)

 

Num relacionamento, deve cada um viver a sua vida, vivendo uma vida conjunta?

(Cada um tem liberdade para fazer o que quiser, respeitando o relacionamento mas não se fechando dentro dele, mas caminhando os dois lado a lado para um futuro conjunto?)

 

Vamos lá a puxar pelos neurónios e a partilhar comigo qual é a vossa opinião sobre este assunto.

 

 

De(s) Privacidade Pessoal

 

 

 

                       

 

 

Saí com a minha mãe e no caminho ela vinha a comentar comigo o que se passa entre uma vizinha minha e o marido, os maus hábitos que se criaram ao longo de tantos anos de casamento e que lhe cerceiam os movimentos. E que ela agora reconhece que são uma invasão à sua privacidade e que nunca deveria ter permitido.

 

O marido sempre foi muito “comichoso”, sempre se incomodou com tudo e com nada. Sempre muito mesquinho em determinadas coisas e muito cioso de tudo. Principalmente no que dizia respeito a ela e à casa.

Ela trabalhava em casa como costureira, assim como a minha mãe. E eram daquelas que trabalhavam à bruta, tipo terem de fazer 30 pares de calças por dia, daí hoje estarem todas cheias de mazelas. Quantas vezes não ajudei eu a minha mãe nestas maratonas: ela a cozer e eu a orlar e a fazer bainhas à mão!

Mas vamos ao que interessa. O marido da minha vizinha tinha o bom hábito de a ajudar em casa, mas a idade veio e as mazelas também e foi deixando de dar uma mãozinha nas tarefas domésticas. Mas não perdeu o hábito de meter o bedelho em tudo.

 

Ambos reformam-se e aí chega a grande desgraça dela. Perdeu toda e qualquer liberdade e privacidade. Começa a ter o controlo de todos os seus passos. Se vai à rua, ele tem de saber onde, porquê vai e quanto tempo demora. Se demora  mais um pouco porque encontrou alguém ou teve de ir a outro lado porque ali não encontrou o que precisava. Ao chegar a casa, vai ter de arranjar um rol de explicações.

 

Se formos a casa deles fazer uma visita, não há privacidade porque ele também quer participar da conversa e, pior, monopolizá-la com a descrição das suas maleitas. É claro que ele tem todo o direito de participar na tertúlia mas poderia ter a sensibilidade (que poucos homens têm) de perceber que há coisas que são conversas só entre mulheres. Os homens por vezes não aceitam e não compreendem que há coisas estritamente femininas e que são faladas só entre nós. E não tem a ver com segredos ou não querer partilhar com eles. É mesmo assim, faz parte da nossa condição feminina. Tal como se passa o mesmo com eles.

 

Depois surgiu a mania terrível de lhe sacar a mala e revistá-la e revira-la de uma ponta à outra. E porque tens isto na mala? E este papel é de quê? E pra que queres isto aqui? Porque tens este dinheiro aqui escondido? Blá blá blá!

E o mesmo se passa com a carteira. Ah e tem de dar conta de todos os cêntimos que gasta. A pobre mulher tem alturas que está completamente desnorteada com tanto controlo. É que este tipo de coisas arrasa mesmo connosco. É a pressão psicológica, o “medo”, o saber que não temos privacidade.

Acreditam que muitas vezes ela quer falar com a filha determinados assunto e não quer que ele oiça, por isso vai para casa da minha mãe falar?

 

Ela hoje está arrependidíssima de ter permitido que isto acontecesse. E a filha e as netas zangam-se com ela por permitir que isto aconteça. Mas eu acho que ela desistiu. Há uns tempos atrás quando não estava tão doente, até equacionou o divórcio. Mas já era demasiado “velha”.

 

Há coisas que eu não compreendo e estas são algumas delas. A minha mãe fica chocadíssima com a situação da amiga. Na minha casa nunca ninguém tocou nas coisas dos outros, sempre respeitámos o limite e a privacidade dos outros.

Eu sou incapaz de tocar ou mexer nas coisas de alguém sem autorização. Não faz parte da minha natureza. E gosto que façam o mesmo comigo.

 

Assim como a minha mãe, tenho muita pena da minha vizinha. Mas não pensem que ele é má pessoa, não. Simplesmente tem este feitio e devia ter sido “educado” de outra maneira. Vá lá que se ela for ao café comigo ou com a minha mãe, não leva descasca…

 

Ao Pé Coxinho!

 

Há poucos anitos atrás, a minha prima R. casou-se. Obviamente eu fui ao casamento pois ela é minha prima direita.

 

Sempre que vou a algum casamento, o meu visual tem que ser impecável. E neste casamento, eu estava especialmente “chique”. Ia vestida de azul turquesa, com umas calças e um género de túnica com umas flores do mesmo tecido feitas por mim. Fazia lembrar, embora não tivesse nada a ver, um traje indiano. Calcei as minhas belas sandálias azuis claras de salto alto (corri seca e Meca e alguidares de baixo à procura destas sandálias!) que condizem na perfeição com a minha mala de mão bordada a missangas e lantejoulas. Uma preciosidade!

Tinha um penteado altamente como sempre e uma maquilhagem impecável em tons de dourado para ficar o mais natural possível. Manicure e pedicure, igualmente em dourado, a condizer com a maquilhagem.

 

O casamento ocorreu num local que parecia o monte dos vendavais, com umas passadeiras vermelhas ridículas que só serviam para levantar voo e para as pobres velhotas tropeçarem nelas.

Teve o pior catering que alguma vez comi na vida. Mas valeu pela união familiar. Pela presença dos meus tios velhotes e pelos primos todos presentes.

 

Quando me vinha embora com mais alguns familiares, escorreguei na gravilha que forrava o chão daquela quinta e dei uma queda brutal. Fiz uma entorse com fractura no pé esquerdo. Foi horrível a dor e o estalo do osso. Tive de descer a porcaria daquele monte agarrada ao N. e ao meu pai.

Arrancámos para Lisboa, em direcção ao Amadora-Sintra.

Assim que lá cheguei, deram-me logo uma cadeira de rodas e entrei imediatamente. Fui consultada, fiz raio-x e fui engessada até ao joelho.

Agora imaginem-me lá toda fina, muito bem arranjada a entrar assim no hospital. Estava toda a gente a olhar. Ah, só mais um pormenor: quando deia a queda, estava de sapatos rasos pois os de salto alto há muito que já estavam guardados.

A coisa nunca ficou boa, apesar de ter andado 1 mês engessada (tirei o gesso 1 dia antes dos meus anos!) e ter feito imensa fisioterapia.

 

Porque é que eu desfiei aqui todo o rosário desta minha desgraça? Foi só para que compreendessem o que vou dizer agora: desde ontem que não posso colocar o pé esquerdo no chão. Tenho umas dores horrorosas na zona da fractura. Não faço ideia porquê mas tenho. Não torci o pé, não dei jeito nenhum ao pé… só se for do frio…!

Passei uma noite terrível cheia de dores e sem posição para colocar o pé. Tomei medicação, esfreguei a patinha mas… nada! Hoje não fiz muito esforço no pé, vamos lá ver se amanhã está melhor pois tenho montes de coisas para fazer mesmo!

 

Wish me luck for tomorrow! :P